Comunicando um Brasil agroecológico

Sem Comunicação Popular, Não há Agroecologia.  Equipe de Comunicação do III ENA. Foto: Fábio Caffe / Imagens do Povo

Sem Comunicação Popular, Não há Agroecologia. Equipe de Comunicação do III ENA. Foto: Fábio Caffe / Imagens do Povo

O III Encontro Nacional de Agroecologia (III ENA) contou com uma cobertura coletiva feita por comunicadores de diversos movimentos sociais e organizações que acompanham a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA). Assim como outros temas, o encontro pautou a comunicação, vista com grande potencial para fortalecer o movimento agroecológico. “A comunicação é um direito fundamental que deve ser defendido para a efetivação da democracia em nosso país e para a consolidação da agroecologia como único modelo viável e sustentável para a agricultura brasileira”, destacou trecho da Carta Política.

O documento ressaltou ainda que é preciso “enfrentar o perverso sistema de comunicação dominante”, que legitima padrões de desenvolvimento geradores de desigualdades sociais, da concentração de riquezas e da destruição ambiental. Realizado no município baiano de Juazeiro entre 16 a 19 de maio, o III ENA destacou que o diálogo entre agroecologia e a comunicação fortalece a produção de conhecimento, o intercâmbio de experiências e a valorização de saberes locais, envolvendo diferentes territórios em um propósito comum.

O trabalho coletivo de comunicadoras e comunicadoras durante o III ENA resultou em textos para sites, impressos e redes sociais, fotos e vídeos. Também contou com uma Rádio Poste, que funcionou no intervalo das atividades do evento. Mais do que uma ferramenta, a emissora ampliou a participação. Filas se formaram para informes, depoimentos, cantorias e declamação de cordéis.

Abaixo estão entrevistas em áudio que traduzem nas vozes de agricultoras e agricultores temas relacionados ao lema “Cuidar da terra, alimentar a saúde e cultivar o futuro”.

Sementes tradicionais, agrobiodiversidade e acesso à terra
Luiz Pereira, de 70 anos, é militante do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). Ele é da região de Araripe, Pernambuco. Nesta entrevista, o agricultor fala que “a vida está no quintal de casa”, valorizando os conhecimentos tradicionais. Também aborda o pilar “semente e água”, mas sem deixar de ressaltar que “a palavra mais linda que existe é ‘terra'”. Dessa maneira ele chama atenção para a importância da reforma agrária. Ouça a entrevista.

História de luta popular na voz de uma descendente de quilombolas
“Sem feminismo não há agroecologia” foi uma das principais mensagens do III ENA. Nesta entrevista, Josefa dos Santo Jesus, de 56 anos, fala sobre “sua criatividade em organizar a população” em torno de uma associação a fim de lutar por melhores condições de vida. Ela é descendente de quilombolas de Sítio Alto, no município de Simão Dias, em Sergipe, território onde hoje se constrói a agroecologia. Histórias como a dela deixam evidente a importância das mulheres na produção de alimentos saudáveis. Ouça a entrevista.

Conhecimentos tradicionais e a convivência no semiárido
O cearense Paulo Maciel, de 53 anos, resolveu ir aos espaços de debates dos jovens durante o III ENA por se preocupar com o fato de os conhecimentos sobre sementes e ervas medicinal estarem, muitas vezes, morrendo junto com “os mestres”. “São espécies que tiveram seu valor comprovado por todas as gerações anteriores”, pontuou o agricultor do Fórum Araripense de Convivência com o Semiárido. Ouça a entrevista.

Agroecologia na cidade na visão de uma jovem
A gaúcha Luiza Bassanesi, de 20 anos, faz parte da Rede de Grupos de Agroecologia (Rega) e se anima com cultivos feitos em espaços públicos da cidade ou até mesmo dentro de casa, em pequenos vasos de planta. A jovem aponta que essa é uma forma de colocar em prática a “filosofia agroecológica”, que conheceu na faculdade. Além disso, contou que tem aprendeu muito com os jovens rurais durante o III Ena. Ouça a entrevista.

A vida de uma quebradeira de coco no Maranhão
Betsaida de Souza é quebradeira de coco de Mearim, no Maranhão. Ela falou da importância de valorizar sua identidade, revelando uma realidade de preconceitos em sua região. “Muitas mulheres ainda têm vergonha, se escondem para quebrar coco”, relata. A integrante da Associação em Áreas de Assentamento no Estado do Maranhão (Assema) também comentou as imposições do agronegócio e destacou que “o país não possui uma política de juventude no campo”. Ouça a entrevista.

(*) Matéria publicada originalmente no site da Fase – Solidariedade e Educação.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*