Caravana Agroecológica das Juventudes do Nordeste

caravana juventudeNome do território e dos municípios que o integram.

O Território Sertão do Araripe, em Pernambucano, é formado pelos municípios Araripina, Bodocó, Exu, Granito, Ipubi, Moreilândia, Ouricuri, Parnamirim, Santa Cruz, Santa Filomena e Trindade.

Data de realização da Caravana Agroecológica e Cultural 

Ocorreu entre 25 e 29 de maio de 2014

Organizações que organizaram a caravana 

Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), Rede ATER Nordeste, Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), Caatinga, Centro Sabiá, CETRA, ASSEMA, ActionAid, Terre des Hommes Schweiz

mulher rostoNúmero de pessoas que participaram da caravana 

A Caravana contou com a presença de 100 participantes/jovens, além de 10 técnicos/assessores das instituições organizadoras, 6 Assessores de Comunicação das entidades e 10 comunidades rurais envolvidas no processo, somando cerca de 150 agricultores e agricultoras nas visitas às experiências. A programação inclui um ato público na cidade, com a mobilização de 300 pessoas.

hortaResumo: breve descrição das características mais marcantes das dinâmicas de construção da agroecologia no território

Uma caravana em meio a lutas e contradições do Araripe Pernambucano

A Caravana Agroecológica e Cultural das Juventudes do Nordeste faz sua trajetória num território de contradições: O Sertão do Araripe Pernambucano. Num cenário de chuvas irregulares e, por vezes escassas, centenas de famílias agricultoras mostram que é possível conviver com o Semiárido e da terra garantir a segurança alimentar e o sustento da casa. Por outro lado, esses mesmos agricultores/as estão sendo assediados pelo agronegócio da bovinocultura e da monocultura, com a oportunidade de receber apoio/financiamento público; pela política de desenvolvimento do território baseada na mineração do gesso; e os impactos de grandes obras como a Transnordestina (em construção), o polo gesseiro e o Canal do Sertão.
conversa aulaEmbora muitas famílias estejam resistindo e outras não tenham sentido na pele a pressão desses empreendimentos, os impactos ambientais e socioeconômicos já estão em voga, com a desapropriação de terras, êxodo rural e aumento de bairros periféricos nas cidades do Território. Paralela a esta situação, a construção das tecnologias de convivência com o Semiárido, através das organizações que tem a Articulação no Semiárido (ASA) e a Rede ATER Nordeste como espaços de convergência de esforços e construções coletivas, tem possibilitado à algumas famílias a permanência digna no campo.

Mais abrangente e eficaz as políticas de transferência de renda, é que tem de fato ajudado a suportar as adversidades dos períodos de estiagem, como o que a população enfrentou nos últimos três anos. Em meio a esse turbilhão de acontecimentos, as famílias agricultoras seguem com a esperança em dias melhores, sobretudo após as chuvas.

Sobre o Território do Araripe de Pernambuco

rumo enaA região do Araripe Pernambucano se constitui dos municípios de Araripina, Granito, Ipubi, Ouricuri, Trindade, Bodocó, Exu, Moreilândia, Santa Cruz e Santa Filomena. A população é de 316.862 habitantes e, destes, aproximadamente 51% vivem no meio rural. Estima-se que dos 28.143 estabelecimentos agrícolas da região, 98% são de agricultura familiar, o que demonstra uma forte tradição agrícola.

O clima que predomina é o semiárido, com poucas chuvas concentradas em alguns meses. Devido ao alto índice de desmatamento da cobertura vegetal para a implementação de áreas de agropecuária e como matriz energética para o polo gesseiro, o Sertão possui fortes riscos de desertificação. Estudiosos desse ecossistema dizem que se o desmatamento continuar no mesmo ritmo, a vegetação atual só resistirá por mais 42 anos.

rota robson gomesOutro dano causado ao Sertão do Araripe pelo processo desenvolvimentista é a produção do gesso. Essa região é uma das mais ricas do país em gipsita, um minério muito cobiçado pela indústria mineradora. Sua extração tem prejudicado seriamente o meio ambiente, contribuindo para a desertificação e o desmatamento. As famílias agricultoras resistem a esses processos mesmo que políticas públicas para auxiliar as agricultoras e os agricultores não sejam devidamente implementadas. Muitas vezes, os recursos públicos investidos nessa região beneficiam as famílias mais ricas, que já possuem condições de organizar sua produção. A agroecologia tem sido uma alternativa adotada por essas famílias para conviver com o clima semiárido e para conseguirem produzir mesmo sem incentivos governamentais.

Somado a essa contexto, a Transnordestina, ferrovia de 1.728km, tem sido fonte de dificuldades para a população da região. A obra foi planejada para transportar os produtos do agronegócio. É uma iniciativa do governo que não leva em consideração a vida e a produção agrícola das famílias camponeses. Com a conclusão da rodovia, elas terão dificuldades em se locomover, ter acesso aos meios de produção e sua sociabilidade será prejudicada.

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