Caravana Agroecológica e Cultural da Chapada do Apodi

1174517_612048942213897_274292058_n1. Nome do território e dos municípios que o integram.

A Chapada do Apodi está localizada na divisa dos estados do Rio Grande do Norte e do Ceará. No estado do Rio Grande do Norte é formada por quatro municípios: Apodi, Baraúna, Felipe Guerra e Governador Dix-Sept Rosado. No estado do Ceará está distribuída por cinco municípios: Alto Santo, Jaguaruana, Limoeiro do Norte, Quixeré e Tabuleiro do Norte.

2. Data de realização da Caravana Agroecológica e Cultural

A caravana foi realizada de 23 a 26 de outubro de 2013.

3. Organizações que organizaram a caravana

Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Apodi; Comissão Pastoral da Terra; Marcha Mundial de Mulheres; Coopervida; Centro Terra Viva; SEAPAC; MST; CUT; Núcleo Sertão Verde; Núcleo Tramas Caritas Limoeiro; ASA – Articulação no Semiárido Brasileiro  e ANA – Articulação Nacional de Agroecologia

1901137_612050515547073_521522052_n4. Número de pessoas que participaram da caravana

A Caravana Agroecologica e Cultural da Chapada do Apodi contou com a participação de mais 350 pessoas dividas entre delegados, organização e apoio.

5. Resumo: breve descrição das características mais marcantes das dinâmicas de construção da agroecologia no território

A Chapada do Apodi, localizada na divisa do Rio Grande do Norte e do Ceará, desde os anos 2000, sofre um processo de desterritorialização iniciado na sua parte cearense devido à implantação de grandes empresas transnacionais e nacionais de fruticultura para exportação que se instalaram a partir do Perímetro Irrigado Jaguaribe-Apodi. Esse processo de modernização agrícola nessa região trouxe implicações para o trabalho, o ambiente e a saúde: desapropriações; violência; comprometimento da segurança alimentar; mudanças nas práticas sociais e laços de vida comunitária; formação de “favelas” rurais; descumprimento da legislação trabalhista, redução da biodiversidade, degradação do solo pela monocultura e risco de desertificação; contaminação do ar e de águas superficiais e subterrâneas por fertilizantes e agrotóxicos.

1557696_612050652213726_759960941_nDentro de um processo histórico de luta e organização de movimentos sociais, a parte do RN da Chapada se faz hoje conhecida em todo o país como um território agroecológico de várias experiências exitosas, com destaque para a apicultura e a caprinocultura, seguidas da ovinocultura, plantação de feijão, milho e sorgo, criação de bovinos, quintais produtivos, pomares e plantações de hortaliças. O município de Apodi-RN é o 2º maior produtor de mel do país e o maior do estado do RN em caprinovinocultura.

Em 10 de junho de 2011, o governo federal decretou a desapropriação de mais de 13 mil hectares de terras do lado potiguar da Chapada, onde vivem mais de 800 famílias, para dar lugar à instalação do Projeto de Irrigação Santa Cruz do Apodi, proposto pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), evidenciando uma política de irrigação em benefício da expansão do agronegócio, a exemplo do que ocorre na Chapada do lado cearense.

1385058_612048932213898_395879229_nA disputa pelo modelo de desenvolvimento rural que se quer para o município é pautada na agroecologia, porque essa alternativa contempla uma maneira mais justa e sustentável de convivência com o semiárido. O trabalho de desenvolvimento e defesa da agricultura familiar e de economia solidária é de fundamental importância para a oposição ao modelo do agronegócio.

Portanto, entre as várias ações de resistência ao projeto do DNOCS, o movimento de mulheres é essencial desde a capacitação para produção de renda ao engajamento e organização da luta. Diversos movimentos sociais estão unidos realizando seminários, atos de rua, dossiê de denúncia e articulações junto ao Ministério Público para reformular o modelo proposto pelo DNOCS. Neste esforço, destacamos o Acampamento Edivan Pinto, maior acampamento do MST do Brasil, com mais de 700 famílias, que ocupa as terras que deverão ser entregues as empresas para produção de monoculturas no perímetro.

A Caravana Agroecológica e Cultural somou forças nesta luta para dizer não ao projeto neoliberal de desigualdade, exploração e exclusão e reafirmou a defesa de uma agricultura familiar pautada nos princípios da Agroecologia, Economia Solidária e Soberania Alimentar

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