Caravana Agroecológica e Cultural da Zona da Mata de Minas Gerais

401169_471197346299058_1504193957_nNome do território e dos municípios que o integram
Zona da Mata de Minas Gerais: Abre Campo, Acaiaca, Alto Caparaó, Alto Jequitibá, Caiana, Caparaó, Carangola, Coimbra, Diogo de Vasconcelos, Divino, Ervália, Espera Feliz, Fervedouro, Guidoval, Manhumirim, Matipó, Miradouro, Miraí, Muriaé, Orizânia, Paula Cândido, Pedra Dourada, Ponte Nova, Raul Soares, Rosário da Limeira, Sem Peixe, Simonésia, Viçosa, Visconde do Rio Branco.

Data de realização da Caravana Agroecológica e Cultural
De 22 a 25 de maio de 2013.

945589_470280399724086_1278329526_nOrganizações que organizaram a caravana
O Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata (CTA-ZM) liderou o processo de mobilização dos atores sociais envolvidos com a agroecologia na região, para a preparação da caravana. Foi formada uma comissão organizadora nacional, com membros da Zona da Mata e da Coordenação da ANA e também uma comissão organizadora regional.

Participaram da organização da Caravana:
Sindicatos de Trabalhadores Rurais – STRs; Sindicatos de Trabalhadores na Agricultura Familiar – SINTRAFs; Escolas Família Agrícola – EFAs Puris (Araponga) e Paulo Freire (Acaiaca); Movimentos dos Atingidos por Barragens – MAB; Movimento dos Sem Terra – MST; Comissão Pastoral da Terra – CPT; Movimentos de Mulheres da Zona da Mata e Leste de MG; Pastoral da Juventude Rural – PJR; Associações e Cooperativas de Agricultores Familiares; Fórum Mineiro das Entidades Negras – FOMENE, Grupos da Cultura Popular; Programa Teia / Universidade Federal de Viçosa – UFV, dentre outros.

983811_471194876299305_880687690_nNúmero de pessoas que participaram da caravana
300 pessoas, sendo 50 visitantes e 250 pessoas da região. No ato público em Espera Feliz havia cerca de 600 pessoas. Foram realizados atos públicos, caminhadas, debates e outros eventos nas ruas e praças de diversas cidades, onde participaram outras 400 pessoas.

Resumo
A região da Zona da Mata (ZM) tem como características a topografia do “mar de morros”. A presença forte da agricultura familiar e uma forte rede de organizações e movimentos sociais.

941940_478285128923613_956502259_nA luta pelo acesso á terra é uma questão presente. Existem diferentes experiências de conquista de terra protagonizadas pelos movimentos na região: ocupação (MST), crédito fundiário (movimento sindical) e conquista em conjunto (grupo de Araponga).
A região é afetada pela construção de barragens e hidroelétricas. Há uma presença importante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

971748_471197419632384_1561405378_nA extração de bauxita (recurso mineral utilizado para fabricação de alumínio). está instalada no território. Há também a passagem de minerodutos que escoam o minério de ferro desde a região próxima a Belo Horizonte, até os portos no litoral. Os minerodutos são construídos em sua maior parte dentro de APPs (áreas de preservação permanente), e causam grande impacto. Há presença de monoculturas, principalmente de café, pastagens e eucaliptos.
O Parque Estadual da Serra do Brigadeiro (PESB) é uma referência importante. Sua constituição foi em 1996 e o grande dilema foi o conflito gerado pela ameaça de desapropriação de centenas de famílias. Houve forte mobilização liderada pelos sindicatos de trabalhadores rurais, que levou a um recuo do IEF – Instituto Estadual de Florestas, reduzindo a área do parque, garantindo a permanência das famílias em suas terras. A alternativa encontrada foi a Agroecologia, especificamente a implantação de Sistemas Agroflorestais – SAFs, que se mostraram extremamente eficientes no binômio produção – conservação nas áreas de entorno do PESB.

408216_471194912965968_2137826520_nAs associações e cooperativas tem acessado o PAA e a PNAE, e é perceptível o aumento e a diversificação da produção, com fortalecimento da agroecologia pelo acesso ao mercado via estes dois programas.

O protagonismo das mulheres tem sido evidenciado pela conquista de espaços dentro das organizações da agricultura familiar. Além de todas as tarefas assumidas pelas mulheres nas casas, as atividades produtivas nos quintais e lavouras, hoje muitas são presidentas e diretoras dos Sindicatos, Associações e Cooperativas. Apesar dos avanços com relação à conquista de direitos, ainda é preciso avançar muito em participação e valorização do papel das mulheres no contexto da agricultura familiar e da agroecologia.

296101_478285355590257_1474302014_nÉ marcante na região a presença de grupos culturais com origem Afro e indígena: Congados, Caxambu e outras manifestações. Estes grupos sofrem ainda muitos preconceitos.
Apesar de todas estas ameaças, centenas de famílias resistem e reafirmam a agroecologia, com o uso de sementes crioulas, cultivos com SAFs, quintais diversificados, manejo dos solos, uso de plantas medicinais, homeopatia e uma quantidade enorme de práticas que valorizam o conhecimento ancestral e respeitam a Mãe Terra no Território da Zona da Mata Mineira.

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