Caravana Agroecológica e Cultural de Santarém

1459133_546982385387220_285225608_nSANTARÉM, terra de encantos, belezas e sonhos. Centro de integração do território do Baixo Amazonas Paraense. Referência para o desenvolvimento regional, nos aspectos da produção, dos serviços e do desenvolvimento econômico.

A Caravana da Amazônia, realizada na Cidade de Santarém no período de 22 a 25 de outubro de 2013, município do Oeste Paraense, território do Baixo Amazonas, com a participação de mais ou menos 80 pessoas, oriundas dos estados da Amazônia e dos municípios do Bx Amazonas, entre eles; Óbidos, Oriximiná, Prainha, Alenquer, Monte Alegre, Belterra,Juruti, além de representantes da Transamazônica, Altamira, Medicilândia e Brasil Novo e dos estados do Acre, Rondonia, Manaus, Maranhão, além de representantes da ANA, Rio de Janeiro.

Os participantes foram divididos em duas caravanas, uma parte foi visitar as experiências da FlonaTapajos e comunidades quilombolas; a outra parte visitou a RESEX Tapajós Arapiuns e comunidades indígenas.

1461659_546983472053778_1409150402_nPRINCIPAIS QUESTIONAMENTOS LEVANTADOS E OU/DEBATIDOS

O desenvolvimento sustentável é um debate, que muitas vezes fica apenas na teoria, a falta e ou/ ineficácia de políticas públicas que atendam de fato quem está na ponta ainda é uma realidade distante. Por isso a busca por alternativas viáveis de desenvolvimento, tem feito com que ONGs, sindicatos e outros,empreendam  uma visão diferente.  Tais liderançasinvestem numa dinâmica de produção que agrega o conhecimento tradicional com novas tecnologias, que  trazem benefícios sociais econômicos e ambientais. Neste contexto a agroecologia surge como o grande mote do desenvolvimento sustentável. No entanto, este é o grande desafio dessa região.  Apesar dos esforços de algumas organizações que atuam dentro do enfoque agroecológico.

  • Visibilizar os que praticam a agroecologia e colocar no mercado serviços e produtos oriundos desta prática é o grande desafio, a PNAPO E PLANAPO, podem vir a ser os instrumentos de visibilidade, mas, muita estrada precisa ser percorrida.

1385482_546982065387252_668835999_nA agroecologia, não é entendida de forma clara pelos que a praticam.

Desafios/Preocupações: Desarticulação dos Arranjos Produtivos Locais (APL´s) em todos os municípios: organizações de base e representações dos segmentos propõem e o governo não atende; Falta de apoio técnico para o licenciamento;Morosidade na regularização fundiária; Infraestrutura deficitária para o beneficiamento, armazenamento e escoamento da produção.

  • Redução no percentual do PNAE aplicado à aquisição de produtos da agricultura familiar: apesar da orientação legal de aplicação mínima de 30% dos recursos destinados pelo PNAE a cada município para a aquisição de produtos da Agricultura Familiar, aqui na região, sobretudo em Santarém, o montante gasto com produtos da AF vem diminuindo a cada ano.
  • A lenta e deficiente política de consolidação dos assentamentos e unidades de conservação por parte do INCRA, a exemplo do PAE Lago Grande e da Resex Tapajós/Arapiuns, é também um grande entrave no processo de consolidação, utilização e implementação das atividades produtivas.  “O cadastramento ambiental Rural ajuda a conter o desmatamento, no entanto ainda não é uma realidade neste território. Hoje, no Pará, existem cerca de 85 mil cadastros emitidos, a maioria de pequenos estabelecimentos rurais, que correspondem a cerca de 80% desse total. Mesmo assim, esse número representa menos de 20% das áreas cadastradas, o que requer uma atenção maior para o trabalho que é feito junto aos pequenos produtores/as.

 1384107_546981202054005_1230856565_nOs conflitos:

  • Ainda são presentes e preocupantes, os novos conflitos pela posse da terra, sobretudo em relação ao uso da floresta para a produção de madeira e a instalação de monocultivos. A desejável instalação de Unidades de Conservação (tidas como oportunidade de garantir a posse da terra nas mãos dos moradores extrativistas, pequenos produtores rurais) não caminha com a mesma velocidade e vontade política de autorizar o licenciamento dos grandes empreendimentos. Da mesma forma, a falta de uma política séria de regularização fundiária, culmina com a prática de extração ilegal de madeira, pondo em risco a vida de pequenos produtores e suas lideranças.
  • PAC, grande ameaça na disputa do território (hidrelétricas no Tapajós)

1393562_546983495387109_57018876_nDesta forma abusca por alternativas de produção, também faz-se necessária para encontrar respostas aos grandes problemas globais, especialmente as problemáticas de nossa região como  o desmatamento.  Muitos são os fatores que causam, entreeles as atividades desordenada de exploração madeireira, a  agricultura mecanizada com suas monoculturas extensivas, (fato este muito fortemente visibilizado na região da BR163, Belterra),  a pecuária   e as práticas de uso de fogo, esta última praticada pelas famílias de pequenos agricultores, que são os que mais sentem os efeitos desta exploração irracional dos recursos naturais, com a escassez e falta  de segurança alimentar e pouco acesso  a infra estrutura. (neste caso os moradores da RESEX Tapajós Arapiuns)

1391914_546984292053696_2029432799_nAs comunidades tradicionais, quilombolas, cuja mentalidade e o estilo de vida são singulares e diferenciados àqueles praticados pela civilização moderna, começam a assumir uma tática de conservação e preservaçãodos seus recursos humanos e naturais sem relegar a importância de suas atividades produtivas e ou/agroextrativistas como fonte de renda;  Querem participar das discussões sobre o futuro de sua região, pretendem uma economia em que os ganhos sejam mais bem repartidos e mais pessoas tenham oportunidade de lucrar com a floresta e seus aspectos produtivos. A caravana da Amazônia, trouxe maior visibilidade para toda essa problemática.

Os municípios de modo geral, apresentam dinâmicas econômicas que estão ligadas a atividades agrícolas, que absorvem, no que diz respeito a agricultura familiar, um percentual considerável de trabalhadores, mas ainda apresentam no entanto, baixa eficiência econômica

  • No aspecto produtivo a grilagem de terra, a falta de regularização fundiária, assistência técnica, disputa de mercado, a desorganização da produção e a expansão do agronegócio são apontados como os principais conflitos existentes no território, o que leva a necessidade de ações voltadas a regularização de terras; com isso espera-se que a distribuição de renda possa ser mais eficiente para a população.

1454571_546982995387159_214559753_n“Desafios do Agroextrativismo e Economia Verde na Amazônia

Outro desafio evidenciado foi a questão do bolsa verde, especialmente na RESEX Tapajós Arapiuns, pois muitos agricultores/as ficam inviabilizados de acessar outros fomentos.Várias empresas adentram a RESEX para vender a proposta do governo sobre economia verde.Outrossim, a venda de produtos do agroextrativismo, encontra uma barreira muito grande, especialmente junto aos mercados institucionais, uma vez, que a falta de certificação orgânica é um grande entrave para a venda.

Discutir a agroecologia é compreender e enfrentar essa realidade, oportunizando o desenvolvimento de ações que permitam a vida em harmonia do homem e da mulher com a natureza. É importante lembrar que, mesmo com todas essas possibilidades, e também com todos os desafios, a busca da sustentabilidade tem que sair do discurso e se concretizar nas ações, desde as mais pequenas até as mais abrangentes

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*