Caravana Agroecológica e Cultural do Bico do Papagaio

1441214_550082435077215_3596980_nNome do Território e Municípios que o integram

O Território do Bico do Papagaio fica no extremo norte do Estado do Tocantins e é composto pelos municípios de: São Miguel do Tocantins, Sitio Novo do Tocantins, Axixá do Tocantins, Augustinópolis, Araguatins, Carrasco Bonito, Itaguatins, Sampaio, Buriti do Tocantins, Esperantina, Praia Norte, São Sebastião do Tocantins.

1465131_550082468410545_292287653_nData de realização da Caravana

A Caravana da Agroecologia do Bico do Papagaio foi realizada entre os dias 8 e 10 de novembro de 2013 e promoveu visitas às experiências de organização, produção e comercialização de grupos produtivos dos municípios de São Miguel, Esperantina, Buriti, Araguatins e Carrasco Bonito.

Organizações que organizaram a Caravana

As entidades do Bico do Papagaio que organizaram e participaram da caravana foram: MIQCB, CIMQCB, AMB, COOAF-Bico, ASMUBIP, STTR de Axixá, STTR Regional, STTR de São Miguel, ABIPA, AEFA, APIMELFRE, Comunidade Quilombola Ilha São Vicente, APA-TO.

1461516_550084611743664_397303940_nNúmero de pessoas que participaram

Participaram 50 representantes de organizações de agricultores familiares, camponeses, quilombolas, pescadores, extrativistas, artesãos e técnicos dos Estados do Tocantins, Pará, Maranhão e Amapá.

Breve descrição das características mais marcantes das dinâmicas de construção da agroecologia no território

Após vinte anos de intensos conflitos agrários, em meados da década de 1980, e processo de redemocratização do País, as organizações de representação da agricultura familiar na Região do Bico do Papagaio passaram a obter importantes avanços na conquista da terra através da criação de mais de 81 assentamentos rurais vinculados ao Programa Nacional de Reforma Agrária, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, em que vivem e produzem 4.578 famílias de agricultores.

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Durante a década de noventa estas organizações, apoiadas pela Comissão Pastoral da Terra – CPT, pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado – FETAET e pela Alternativas para a Pequena Agricultura no Tocantins – APA-TO, e acessando as políticas específicas para a agricultura familiar que começavam a se constituir a partir da luta das organizações, passaram a investir seus esforços em ampliar e consolidar a capacidade produtiva destas famílias recém assentadas. Estes esforços foram centrados (i) no desenvolvimento de estratégias orientadas para a ampliação de suas capacidades em garantir a segurança alimentar de suas famílias e comunidades e (ii) na produção de algum excedente para a comercialização e ampliação da sua renda monetária.

As estratégias de ampliação de segurança alimentar das famílias estiveram baseadas na produção de gêneros básicos, como, arroz, milho, mandioca, feijão e pequenos animais, principalmente para o consumo na própria propriedade, e as de comercialização estruturadas em três cadeias de valor: das frutas, inclusive nativas da região, do mel e dos diferentes produtos do babaçu, que têm como um dos seus pilares a associação da geração de renda para as famílias com a conservação da biodiversidade do Bioma Amazônico.

1395426_550082401743885_1233283916_nNeste sentido, as organizações da região têm articulado políticas públicas que contribuam para a estruturação das cadeias produtivas dos produtos agroextravistas e agroecológicos. Com isso, inúmeras agroindústrias, com destaque para o de mel foram construídas com recursos do PRONAF Infraestrutura e PRONAT, além de projetos de cunha socioambiental apoiados pelo governo e organizações não governamentais.  Contudo, estas agroindústrias encontram-se fora dos padrões exigidas pela legislação sanitária ou construídas em locais inapropriados por incompreensão do poder público local, gerando novos desafios/problemas para os agricultores familiares.

1471124_550149755070483_753584590_nTodavia, paralelamente a este processo de construção do agroextrativismo e agroecologia, baseada na produção familiar, a região ainda possui extensos latifúndios que utilizam a monocultura de capins para criação de gado de corte. Além do gado, nos últimos anos a expansão da monocultura do eucalipto e da teca vem acarretando graves conflitos socioambientais na região. Outro conflito enfrentado pela população do território do Bico é a construção da Usina Hidrelétrica de Marabá, que se for realizada inundará grande extensão de terra, e muitas experiências de agroextrativismo e agroecologia construídas nesses vinte anos.

 

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