Caravana Agroecológica e Cultural do Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha

Data de realização da Caravana Agroecológica e Cultural

08 a 11 de outubro de 2013, Realizadadurante oVI Encontro Norte Mineiro da Agrobidiversidade, I Encontro de Agrobiodiveridade do Semiárido Mineiro e I Forum InternacionalAgrobiodiversidade e Mudanças climáticas

Organizações que organizaram a caravana

Guardiões e Guardiãs da Agrobiodiversidade do Semiárido Mineiro; Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas; Articulação Semiárido Mineiro; Cáritas Regional Minas Gerais; Fórum de Convivência com o Semiárido do Vale do Jequitinhonha; Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica; Visão Mundial; Cáritas Diocesana de Almenara – Baixo Jequitinhonha; Cáritas Diocesana de Araçuaí; Cáritas Diocesana de Januária; Cooperativa Grande Sertão; Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Riacho dos Machados; Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Porteirinha; Sindicato dos Trabalhadores Rurais de  Rio Pardo de Minas; Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Varzelândia; Associação Indígena Xacriabá Aldeia Barreiro Preto;  Grupo Agroextrativista do Cerrado; Articulação Rosalino de Povos e Comunidades Tradicionais do Norte de Minas; Núcleo de Agroecologia e Campesinato da UFVJM.

Número de pessoas que participaram da caravana (se for o caso).

700 pessoas

Resumo: breve descrição das características mais marcantes das dinâmicas de construção da agroecologia no território

A Caravana aconteceu no Semiárido Mineiro, que compreende o Norte de Minas Gerais e Vale do Jequitinhonha, região que tem como característica marcante a diversidade de povos e comunidades tradicionais e a presença de uma agricultura camponesa de forte base comunitária, que usa e maneja recursos em diferentes unidades da paisagem, com um amplo conhecimento e uso da agrobiodiversidade, sistemas produtivos de natureza agroextrativista complexos e diversificados, que pratica a comercialização nas feiras livres e mercados locais. Chama atenção as densas redes comunitárias de solidariedade, que permitem troca e circulação de produtos entre as famílias e enfrentamento dos períodos de crise e seca.

Desde os anos 1970, extensas áreas da mata nativa da região foram substituídas por monocultivos de eucalipto para atender à demanda de carvão vegetal da indústria siderúrgica, instalada em outras regiões de Minas Gerais. Além disso, a disputa por terras entre os grandes fazendeiros e comunidades tradicionais tem resultado em conflitos violentos, causando a morte de muitos camponeses.

Na região da Serra Espinhaço, Vale do Jequitinhonha, a criação de um Parque Nacional resultou no impedimento da prática tradicional de coleta de flores, atividade de geração de renda fundamental para as comunidades camponesas da região.

Atualmente, a região vive uma corrida mineral, sendo que, entre o ano 2000 e 2013, o Departamento Nacional de Produção Mineral recebeu 3.866 requerimentos de pesquisa mineral e 203 requerimentos de lavra em localidades da região

A mineração, os monocultivos industriais de eucalipto, a pecuária extensiva, a construção de hidrelétricas, os grandes projetos de irrigação e a criação de unidades de conservação de proteção integral sobre território dos povos e comunidades tradicionais são os principais vetores de conflitos territoriais no semiárido mineiro, constituindo séria ameaça à reprodução dos sistemas tradicionais de uso e conservação da agrobiodiversidade.

Contrapondo a essa conjuntura uma serie de entidades organizações e movimentos sociais buscam um novo modelo de desenvolvimento e de sociedade para essa região. Tendo a agroecologia e manejo sustentável dos agroecossitemas nativos como elemento básico para a construção de um novo mundo rural a partir das peculiaridades de cada território tradicionais. A construção da agroecologia nessa região tem como referencia os povos e comunidades tradicionais que convivem intrinsecamente com os agroecossistemas.

Ao longo de 30 anos várias experiências bem sucedida vem sendo desenvolvidas nessa região. O resgate, uso e conservação da agrobiodiversidade, o manejo agroextrativista de áreas de coleta e cultivo, a melhoria e garantia de acesso a água, amplo processo de formação política das comunidades, apoio ao povos e comunidades tradicionais para a retomada e proteção dos seus territórios tradicionais e acompanhamento sócio técnico as comunidades.

Recentemente foi elaborado um plano de ações estratégicas, com ampla participação social, para promover a conservação, uso e gestão compartilhada da agrobiodiversidade no semiárido mineiro, enquanto estratégia para fortalecimento da resiliência e adaptação às mudanças climáticas, assim como para a garantia do direito dos agricultores e da soberania alimentar de povos e comunidades tradicionais.

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