Caravana Agroecológica e Cultural do Rio de Janeiro

1395391_612691472149644_1536155630_nNome do território e dos municípios que o integram:

Região Metropolitana do Rio de Janeiro
• RJ: Baia de Sepetiba, TKCSA, Vargem Grande/Jacarepaguá/Campo Grande e Vila Autódromo (Zona Oeste), Pedra Branca (conflitos UC);
• Queimados e Nova Iguaçu: Campo Alegre (morosidade da Reforma Agrária); Feira da Roça (conflito prefeitura sobre a permanência da feira);
Magé não se efetivou como conflito na Caravana.

Data de realização da Caravana Agroecológica e Cultural:

De 16 a 19 de novembro

1962623_612690922149699_65905388_nOrganizações que organizaram a caravana:

Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul – PACS; Rede Carioca de Agricultura Urbana; Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos – Comitê RJ; Movimento Sem Terra – MST/RJ; Rede Ecológica; ASPTA.

Número de pessoas que participaram da caravana:

Cerca de 50 pessoas ao longo dos três dias de atividades

Breve descrição das características mais marcantes das dinâmicas de construção da agroecologia no território

1900107_612691235483001_751649538_nA Caravana Agroecológica e Cultural realizada no Rio de Janeiro, entre os dias 19 e 21 de novembro de 2013, buscou evidenciar os intensos conflitos socioambientais que incidem sobre a região metropolitana do estado e representam ameaças diretas à agroecologia e à vida camponesa.

Na Região Metropolitana, priorizou-se o reconhecimento das resistências e lutas em curso diante da implantação de megaempreendimentos siderúrgicos, esportivos (Copa do Mundo e Olimpíadas), construção civil (empreiteiras), imobiliários, entre outros projetos que ameaçam a agricultura familiar nos assentamentos da reforma agrária, criminalizam os agricultores que coexistem nas unidades de conservação e impossibilitam a agricultura urbana, invisibilizada pelas políticas de ordenamento territorial em curso no estado.

1982168_612691302149661_1088649433_nO centro dos debates, na primeira parte do dia, foi composto pelas falas dos pescadores, em grande parte residentes de Santa Cruz, na zona oeste, onde são atingidos pela Siderúrgica ThyssenKrupp (TKCSA). A Baía de Sepetiba, onde está instalada a empresa, tem mais de 300 ilhas entre matas, mangues e restingas, é moradia e sustento para inúmeras famílias. Os pescadores e os representantes do PACS apontaram os diversos impactos que as comunidades estão sofrendo devido o descaso da empresa e do poder público. As denúncias não se restringem aos problemas de saúde e a poluição do ambiente, englobam ainda ameaças e pressões morais de diversas naturezas. Os pescadores, por exemplo, estão impedidos de manter suas práticas tradicionais de pesca e agricultura.

554790_612691438816314_772030716_nA primeira experiência agroecológica percorrida foi o quintal agroecológico e urbano da Dona Lena, em Guaratiba: plantas medicinais e frutíferas, dentre outras. Uma roda de conversa possibilitou a troca de saberes e práticas sobre o assunto. A Rede Comunitária de Agricultura Urbana animou o debate. Em pequenos potes, na laje de casa e em pequenos canteiros, o aproveitamento de espaços na cidade para cultivar alimentos de forma agroecológica resgata práticas culturais relacionadas à agricultura e à saúde, gera renda para as famílias e estimula práticas comunitárias de partilha de conhecimentos. O trabalho de Dona Leda está ligado a RedeFitovida e sua comunidade através da Pastoral da Criança, estimulando a agricultura urbana, o combate à desnutrição infantil e a difusão dos fitoterápicos.

1457709_612691145483010_761909145_nOutra experiência interessante em Campo Grande, também na zona oeste, que recebe alimentos da agricultura familiar através da Política Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). As crianças e as articuladores da Fundação Xuxa Meneguel, mostraram como é a dinâmica da alimentação nas escolas, trazendo como pano de fundo todo o debate sobre os mecanismos políticos corruptos que envolvem a precariedade da merenda na rede pública municipal e a dificuldade de acesso dos agricultores locais à política pública. Outra questão central neste território é que o Plano Diretor extinguiu as zonas rurais do município, isso significa que a prefeitura não leva em conta os agricultores, que ficam sujeitos ao pagamento de impostos urbanos, como o IPTU.

O segundo dia da Caravana começou na Vila Autódromo com o Café da Roça. Ameaçadas de remoção há 20 anos, as 500 famílias viraram um símbolo de resistência na luta por moradia no Rio de Janeiro. Seguindo para Vargem Grande, também na zona oeste, a caravana foi recebida por lideranças em um bonito ato na Praça Pacuí, reunindo entre outros grupos, e agricultores do Maciço da Pedra Branca, que expressaram os conflitos e riquezas das experiências locais. O conjunto de montanhas, assim denominado por causa de sua montanha mais alta, abriga o Parque Estadual da Pedra Branca, maior floresta urbana no mundo. É no entorno e em áreas do Parque, instituído em 1974, que agricultores (as) têm se mobilizado pelo reconhecimento da prática agrícola realizada em espaços da cidade e sua inserção no âmbito das políticas públicas voltadas para a agricultura familiar. A região foi por muito tempo polo de abastecimento agrícola da capital e, hoje, a atividade persiste e detém relevância econômica e social para a manutenção dessas famílias. Devido às pressões, muitos venderam suas propriedades, que hoje são grandes condomínios residenciais.
No local foram visitados alguns quintais produtivos com alimentos agroecológicos. A produção de banana, hortaliças, caqui e a riqueza das garrafas e preparados medicinais nos quintais repletos de espécies traz para a Caravana o debate sobre a produção baseada nos Sistemas Agroflorestais. Atividades Culturais marcaram o dia de Zumbi, na comunidade remanescente de quilombola Astrogilda, representando a diversidade cultural do Rio de Janeiro, um território onde traços da cultura negra, os saberes dos sertanejos urbanos e as demais influencias culturais, se misturam.

1378633_612690878816370_138656264_nO Assentamento de Campo Alegre, em Queimados, uma das primeiras ocupações do estado e marca a luta pela terra e reforma agrária, e a Feira da Roça de Nova Iguaçu, foram as referências das experiências visitadas e debatidas no último dia Caravana. Foi possível conhecer como as organizações locais estão fortalecendo a agroecologia e promovendo o papel da juventude no local, compreender os processos de resistência que mantém a Feira de Nova Iguaçu que sofre com as mudanças políticas locais e observar experiências agroecológicas construídas em lotes que enfrentam a fragilidade da política agrária no estado.

A visibilização dos conflitos territoriais, o fortalecimento da parceria entre o movimento de pescadores e os agricultores (unidade), a aproximação com os comunicadores populares atuantes do Rio de Janeiro e a articulação das diversas dimensões pelas quais a agroecologia interage e enfrenta os conflitos e as ameaças que marginalizam o povo, na construção de sistemas societários alternativos foram algumas das principais conquistas da Caravana.

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